Anel Sita com ágata roxa listrada banhado a ouro 18k na mão, semijoia de destaque

O preço que você não deve negociar

O preço não é o número que a sua cliente vê primeiro. É a decisão que sustenta o seu negócio depois que a venda acontece — e é a primeira coisa que você entrega de graça quando começa a negociar antes da hora.

01O custo real não é o que você pagou pela peça

Antes de pensar em quanto cobrar, você precisa saber quanto a peça custa de verdade. E o valor da nota é só o começo.

Some quatro coisas: o valor que você pagou pela peça, o frete rateado por unidade, a embalagem que sai junto com ela, e o seu tempo — a hora que você gasta fotografando, respondendo, embalando e entregando. Esse último quase ninguém coloca na conta, e é justamente ele que faz muita revendedora achar que está lucrando quando está apenas girando dinheiro.

Uma semijoia com pedra natural ainda tem um custo silencioso: a que é guardada errado escurece o banho ou infiltra água na cravação, e volta como troca. Troca é margem que já foi embora. Quem trata conservação como parte do custo precifica com mais folga — e erra menos.

Colar Magnetismo esmaltado preto com quartzo leitoso banhado a ouro 18k, usado no colo em look escuro
Peça de composição vale pelo conjunto que sustenta, não pelo custo isolado. É isso que o preço precisa proteger.

02O markup existe para caber a sua realidade, não a da vizinha

Markup é o multiplicador que você aplica sobre o custo real para chegar ao preço de venda. Em semijoia de revenda, ele costuma ficar entre 2,2 e 2,8 vezes o custo — abaixo disso, você não cobre o tempo e o risco de troca; muito acima, você sai da faixa que a sua cliente aceita pagar.

O número certo dentro dessa faixa é o seu, não o da concorrente. Ele depende de quanto você entrega junto: atendimento, montagem de conjunto, entrega em mãos, garantia de troca. Cada uma dessas coisas é valor real, e valor real justifica multiplicador maior. Quem entrega mais e cobra igual está subsidiando o próprio trabalho.

Precificar pelo que a concorrente cobra é deixar que a pessoa que menos entende do seu negócio decida o seu lucro.

03A conta que o desconto esconde

Desconto não sai do preço. Sai do lucro. E a diferença entre as duas coisas é o que separa quem cresce de quem só fatura.

Peça de custo R$ 50, vendida por R$ 130. O seu lucro é R$ 80.

Você dá 10% de desconto: o preço cai R$ 13, mas o custo continua R$ 50. O lucro vai para R$ 67.

Ou seja: 10% no preço viram 16% a menos no seu bolso. O desconto sempre morde o lucro numa proporção maior do que parece.

É por isso que ceder rápido é caro. Cada "faço por menos" some com um pedaço da margem que você levou o mês inteiro para construir, e ainda ensina a sua cliente a pedir de novo na próxima.

Bracelete Ópera com ametista banhado a ouro 18k no pulso, detalhe da pedra natural roxa
Bracelete Ópera em ametista: o valor percebido da pedra natural é argumento de preço — use antes de falar em número.

04Segure o preço até terminar de apresentar a peça

O preço só pesa quando aparece antes do valor. Se a sua cliente sabe quanto custa antes de entender o que está levando — a pedra natural, o banho, o acabamento, a exclusividade da composição — o número vira a única informação na mesa, e aí toda conversa é sobre desconto.

Inverta a ordem. Apresente a peça inteira primeiro, deixe a cliente desejar, e só então diga o preço com naturalidade, sem pedir desculpa. Preço dito com firmeza comunica que ele está certo. Preço dito com hesitação convida à negociação antes mesmo de ela começar.

O erro mais comum

Baixar o preço antes de a cliente pedir. Aquele "olha, mas pra você eu faço por..." dito por insegurança entrega margem que ninguém estava disputando, e treina a sua base inteira a esperar desconto como regra. Se ninguém pediu, o preço está certo — deixe ele em pé.

Leve para a sua venda

  • Refazer a conta de custo real de 5 peças, somando frete, embalagem e o seu tempo por unidade.
  • Definir o seu markup de referência dentro da faixa 2,2 a 2,8 e aplicar igual em toda a vitrine.
  • Calcular quanto 10% de desconto tira do lucro das suas 3 peças de maior saída — e anotar esse número.
  • Ensaiar dizer o preço em voz alta, sem "só", sem "mas" e sem baixar o tom no fim da frase.

Escolha uma peça esta semana e refaça o preço dela do zero, com o custo real na frente. Não para mudar o número — para saber, pela primeira vez com certeza, quanto dele é lucro seu. É esse número que você vai defender na próxima vez que ouvir "faz por menos?".

Continue: o que a pedra natural está pedindo nesta estação — para acertar o mix antes de precificar. E veja a linha Clássicos quando for montar a base da sua vitrine.

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